Mostrar mensagens com a etiqueta Stephen Crane (1871-1900). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stephen Crane (1871-1900). Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de julho de 2013

[A man said to the universe], de Stephen Crane

A man said to the universe:
"Sir I exist!"
"However," replied the universe,
"The fact has not created in me
A sense of obligation."

* * *

Um homem disse ao universo:
"Senhor, eu existo!"
"Todavia", replicou o universo,
"O facto não me criou
Qualquer sentido de obrigação."

(in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

[There was a man with tongue of wood], de Stephen Crane

There was a man with tongue of wood
Who essayed to sing
And in truth it was lamentable
But there was one who heard
The clip-clapper of this tongue of wood
And knew what the man
Wished to sing
And with that the singer was content.

* * *

Havia um homem que tinha uma língua de madeira
E que tentou cantar
E na verdade era um lamentável espetáculo
Mas houve alguém que ouviu
O matraquear da língua de madeira
E compreendeu o que o homem
Desejava cantar
E com isto o cantor se satisfez.

(in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

[The wayfarer], de Stephen Crane

The wayfarer,
Perceiving the pathway to truth,
Was struck with astonishment.
It was thickly grown with weeds.
"Ha," he said,
"I see that none has passed here
In a long time."
Later he saw that each weed
Was a singular knife.
"Well," he mumbled at last,
"Doubtless there are other roads."

* * *

O viajante,
Apercebendo-se do caminho para a verdade
Ficou tomado de espanto.
Estava espessamente coberto de ervas.
"Ah", disse ele,
"Vejo que ninguém tem por cá passado
Há muito tempo."
Mais tarde verificou que cada erva
Era em si mesma uma faca.
"Bem", murmurou ele por fim,
"Sem dúvida que há outros caminhos."

(in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

[A man feared that he might find an assassin], de Stephen Crane

A man feared that he might find an assassin;
Another that he might find a victim.
One was more wise than the other.

* * *

Um homem receava poder encontrar-se com um assassino.
Outro poder encontrar-se com uma vítima.
Um deles era mais sabedor do que o outro.

(in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

[There was crimson clash of war], de Stephen Crane

There was crimson clash of war.
Lands turned black and bare;
Women wept;
Babes ran, wondering.
There came one who understood not these things.
He said, "Why is this?"
Whereupon a million strove to answer him.
There was such intricate clamour of tongues,
That still the reason was not.

* * *

Havia um choque rubro de guerra.
As terras ficavam negras e áridas;
As mulheres choravam;
As crianças corriam, em espanto.
Chegou um que não compreendia estas coisas.
Disse ele, "Que razão há para isto?"
Ao dizer isto, um milhão esforçou-se por lhe dar resposta.
Foi tamanho o intrincado clamor das línguas,
Que a razão ficou por se saber.

 (in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

[Yes, I have a thousand tongues], de Stephen Crane

Yes, I have a thousand tongues,
And nine and ninety-nine lie.
Though I strive to use the one,
It will make no melody at my will,
But is dead in my mouth.

* * *

É verdade, tenho mil línguas,
E destas, novecentas e noventa e nove mentem.
Embora me esforce por usar aquela única,
À minha vontade não canta melodias,
Pois está-me morta dentro da boca.

(in O Sapo no Horizonte. Poemas de Stephen Crane; trad. Hélio Osvaldo Alves; ed. tradutor, 1999)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"O Coração", de Stephen Crane

No deserto,
vi uma criatura nua, brutal,
que de cócoras na terra
tinha o seu próprio coração
nas mãos e comia...
Disse-lhe: «É bom, amigo?»
«É amargo - respondeu -,
amargo, mas gosto
porque é amargo
e porque é o meu coração».

(in As magias; poema mudado para português por Herberto Helder; ed. Assírio & Alvim)