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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Outra vez Elio Pecora

Desde sempre que abomino as armas,
não sei se por soberba ou se por medo,
e quanto aos cavaleiros
prefiro os cavalos.
Amo, sim, o amor
e continuo a procurá-lo
blasfemando e sofrendo,
como se não soubesse
que estou em servidão.

(in Poemas Escolhidos; trad. Simonetta Neto)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poema de Elio Pecora


Os Etruscos deixaram túmulos pintados
dentro das cidades apagadas,
os Romanos ensoberbados
acabaram aterrorizados pelos Hunos,
catervas de escravos abeberaram-se
em nascentes de água verminosa,
mulheres esfarrapadas choraram,
choraram as rainhas de capa de seda.

Aquiles saiu da tenda
para vingar o amigo morto
por um herói mais incerto que feroz,
Penélope desfez a teia
para não descer e decidir-se,
Hamlet raciocinou com as sombras,
Faust escolheu o instante errado.

Eu, da minha parte,
sento-me vestido de escuro
e espero o telefonema que adie
para amanhã o meu problema.

(in Poemas Escolhidos; trad. Simonetta Neto)