Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Sousa Braga (1957-). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Sousa Braga (1957-). Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de março de 2018

"Nos Semáforos da Rua de Santa Catarina", de Jorge Sousa Braga

Ao menos os teus olhos
permanecem verdes
todo o ano

(in O Poeta Nu; ed. Fenda, 1999)

"Poema de Amor", de Jorge Sousa Braga

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que não te coubesse no dedo

(in O Poeta Nu; ed. Fenda, 1999)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Semáforos da Constituição", de Jorge de Sousa Braga

Verde amarelo vermelho...
Para quando um semáforo
com as cores todas do arco-íris?

(in Fogo sobre Fogo; ed. Fenda, 1998)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Magnólias", de Jorge de Sousa Braga

Esqueceram-se das folhas
tão grande era a pressa
de florirem

(in Fogo sobre Fogo; ed. Fenda, 1998)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Mimosas", de Jorge de Sousa Braga

Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura

(in Fogo sobre Fogo; ed. Fenda, 1998)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dois haikus de Jorge de Sousa Braga

Nem todos os frutos vermelhos
merecem o céu
da tua boca

* * *

Mais do que uma vez
atravessei a primavera
com os olhos fechados

(in Fogo sobre Fogo; ed. Fenda, 1998)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Versos retirados de "Epístola sobre o mar", de Jorge Sousa Braga

Ninguém é tão avesso
a margens
como o mar


O coração do mar
é um cemitério
de navios e de luar

(...)

Só os meus pés
conhecem o ritmo
das marés

(...)

Noite de breu:
onde acaba o mar
e começa o céu?

(in O Novíssimo Testamento e outros poemas; ed. Assírio & Alvim, 2012)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

"Epístola sobre o silêncio", de Jorge Sousa Braga

Nestas ervas
só o silêncio
se pode deitar


Ninguém ama
tanto o silêncio -
raízes


Uma folha de erva
verga-se sob o
peso de uma palavra


Silêncio - de súbito
o som de duas carriças
fazendo amor


Vento por dentro
Um pensamento
levanta voo


Procura a tua
verdadeira voz
no silêncio


Atento
ao eco
do silêncio


Porque se agitam
as ervas só as ervas
o podem dizer

(in O Novíssimo Testamento e outros poemas; ed. Assírio & Alvim, 2012)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Portugal", de Jorge Sousa Braga (em tempos de crise)

Poema de Jorge Sousa Braga dito por Miguel Borges (ideia: Nuno Artur Silva; produção: "Até ao Fim do Mundo"; imagem: João Filipe Rodrigues; realização: Ricardo Espírito Santo)

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Sono de Primavera", de Jorge Sousa Braga

(A Primavera chega no dia vinte e um - ou vinte e dois, depende da perspectiva).

Adormeço sempre com o teu mamilo
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas

(in 366 Poemas que Falam de Amor; org. de Vasco Graça Moura)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"A mosca", de Ogden Nash

Deus criou a mosca
Num momento de inspiração
Mas depois esqueceu-se de nos dizer
Por que razão

(in Poemas com Asas; poema transposto por Jorge Sousa Braga)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"A minha mãe não me deixa ter um coelho", de Brian Patten

à AJ

A minha mãe não me deixa ter um coelho
Nem que seja um coelho-anão
Não me deixa ter um hamster
Um porco-espinho ou um cão

Não posso ter pombos-correio
Muito menos um rouxinol
Não posso ter um melro
Nem um simples caracol

Não me deixa ter uma cascavel
Ou uma víbora debaixo da cama
Não me deixa ter uma gibóia
Um camelo ou um lama

Não me deixa ter um urso
E não sei por que é que se riu de mim
Quando lhe disse que queria ter uma iguana
Um mangusto ou um pangolim

Não posso ter uma barata
Muito menos um sardão
Não posso ter uma bicha-cadela
Um gusano ou um furão

Não posso ter um gnu
E isto só me acontece a mim
Não posso ter um tatu
Um panda ou um pinguim

Não me deixa ter piranhas
E o que me faz mais pena
É que não me deixe ter um morcego
Um mabeco ou uma hiena

Por isso tenho uma formiga de estimação
No jardim e lá ao fundo na arrecadação
Escondido por detrás da estante
Um secreto elefante

(in Poemas com Asas; poema transposto por Jorge Sousa Braga)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Supernova", de Jorge Sousa Braga

Uma estrela quando morre
morre tão devagar
que não se lembra sequer
de que chegou a brilhar

Mas nem todas as estrelas
morrem dessa maneira
Há quem antes de morrer
brilhe pela vida inteira

(in Pó de Estrelas)

domingo, 18 de janeiro de 2009

"O vento", de Jorge Sousa Braga

Por mais que tente, o vento
não consegue adormecer
se não tiver nada para ler.
Seja uma folha de tília,
de bambu ou buganvília.

É por isso que o vento
arrasta as folhas consigo,
até encontrar um abrigo,
onde possa adormecer.
- arrastou até a folha
onde eu estava a escrever!

(in Herbário)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

"Raízes", de Jorge Sousa Braga

Quem me dera ter raízes,
que me prendessem ao chão.
Que não me deixassem dar
um passo que fosse em vão.

Que me deixassem crescer
silencioso e erecto,
como um pinheiro de riga,
uma faia ou um abeto.

Quem me dera ter raízes,
raízes em vez de pés.
Como o lódão, o aloendro,
o ácer e o aloés.

Sentir a copa vergar,
quando passasse um tufão.
E ficar bem agarrado,
pelas raízes, ao chão.

(in Herbário)