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terça-feira, 25 de agosto de 2009

"As janelas", de Konstandinos Kavafis

Nestas salas escuras, onde vou passando
dias pesados, para cá e para lá ando
à descoberta das janelas. - Uma janela
quando abrir será uma consolação. -
Mas as janelas não se descobrem, ou não hei-de conseguir
descobri-las. E é melhor talvez não as descobrir.
Talvez a luz seja uma nova subjugação.
Quem sabe que novas coisas nos mostrará ela.

(in Os Poemas)

sábado, 1 de agosto de 2009

"O primeiro degrau", de Konstandinos Kavafis

A Teócrito queixava-se
um dia o novo poeta Euménès;
«Há dois anos que escrevo
e apenas fiz um idílio.
É a minha única obra completada.
Ai de mim, é alta vejo,
muito alta a escada da Poesia;
e deste primeiro degrau onde estou
não subirei nunca pobre de mim.»
Disse Teócrito: «Estas palavras
são impróprias e blasfémias.
E se estás no primeiro degrau, deves
ser orgulhoso e feliz assim.
Aqui onde chegaste, não é pouco;
quanto fizeste, grande glória.
Este mesmo primeiro degrau
dista muito das pessoas comuns.
Para pisares este primeiro degrau
tens de ser por direito próprio
cidadão da cidade das ideias.
E é muito difícil nessa cidade
e raro que te naturalizem.
Na sua ágora encontras Legisladores
que não pode burlar nenhum aventureiro.
Aqui onde chegaste, não é pouco,
quanto fizeste, grande glória.»

(in Os Poemas)