Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Paula Tavares (1952-). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Paula Tavares (1952-). Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de março de 2011

"Sombras", de Ana Paula Tavares

Tristezas os olhos
que não têm o brilho de contar,
estão riscados de sombras
como se o rasto dos caminhos
o longe da viagem
fosse, neles, deixando pistas.

Tristezas os olhos
de onde me olhas
detrás de um tempo passado,
o tempo das promessas antigas.

Teus olhos, amado,
são os olhos de alguém
que já morreu
e ainda não sabe.

(in Dizes-me coisas amargas como os frutos)

quinta-feira, 24 de março de 2011

"Tecidos", de Ana Paula Tavares

Meu corpo
é um tear vertical
onde deixaste cruzadas
as cores da tua vida: duas faixas um losango
marcas da peste.

Meu corpo
é uma floresta fechada
onde escolheste o caminho

Depois de te perderes
guardaste a chave e o provérbio.

(in Dizes-me coisas amargas como os frutos)