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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Brinquedos para homens", de Carlos Drummond de Andrade

Embora eu seja adulto,
não me seduzem os brinquedos eletrônicos
que a moda, irônica, me oferece.
E excogito:
Que brinquedo inventar para o adulto,
privativo dele, sangue e riso dele,
brinquedo desenganado mas eficiente?
Tenho de inventar o meu brinquedo,
mola saltando no meu íntimo,
alegria gerada por mim mesmo,
e fácil, fluida, pluma,
pétala.

Sem o pedir às máquinas e aos deuses,
que cada um invente o seu brinquedo.

(in Amar se aprende amando)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dois versos de Carlos Drummond de Andrade

à AJ

O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(versos do poema "O mundo é grande", in Amar se aprende amando)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Discos pedidos

Obviamente: faltava ainda publicar algo do Drummond, poeta que muito aprecio. Depois de uns quantos minutos a folhear o primeiro livro publicado por este autor (Alguma Poesia, de 1930), reencontrei estes versos tão apropriados a um blogue de nome poema possível...

* * *
Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

(in Alguns Poemas)