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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Limpa-vidros", de Abel Neves

entre nós e o que queremos dizer há um vidro
ou uma lente com as suas nódoas de humanidade    as dedadas
as marcas do frio    das saraivas    o pó
um verso mais ou menos limpo de imperfeições é
aquele que podemos ler depois de um trabalho com limpa-vidros

(in Telhados de Vidro; n.º 16, 2012)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"A minha ignorância", de Abel Neves

a minha fala traduz o que ignoro
que fazer?
espreito alguns versos
que me ajudaram a intuir os começos
a casa
e o rasto das aves
e deito-me sem saber onde buscar ciência
para tanta ignorância

(in Telhados de Vidro; n.º 16, 2012)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Fernando Pessoa no Martinho da Arcada", de Abel Neves

ele há coisa mais natural do que um poeta amar o ovo estrelado?
é o que ouço dizer
que Pessoa para além de tudo
passando sem pressa de passar na praça maior do Tejo
sentado no café com versos e odores de mar
gostava de ovo estrelado
dizia que era um sol frito
as coisas que um poeta diz

(in Telhados de Vidro; n.º 16, 2012)