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terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Saudade", de Al-Mu'tamid

breve será vencedora
a morte com tal paixão,
se não estancas coração
esta dor que me devora.

ausente minha senhora
mil cuidados me dão guerra.
não logro paz cá na terra.

e o sono, que invoco em vão,
com a sua doce mão
nunca as pálpebras me cerra.

(in Al-Mu'tamid. Poeta do Destino, trad. Adalberto Alves)

domingo, 5 de outubro de 2008

Uma «brilhante prestação»

Rainer Maria Rilke, nas Cartas a um Jovem Poeta, aconselhava: «Não escreva poemas de amor; evite por ora as formas mais comuns e correntes: são elas as mais difíceis, pois só uma grande força, já amadurecida, conseguirá criar uma coisa própria por entre a abundância de boas e por vezes brilhantes prestações».

* * *

(Às vezes, tropeço em livros extraordinários. Acontecerá, por certo, com todas as pessoas - nuns casos, admito que possam ser outros os objectos desses contactos felizes. Desta vez, num mercado de livros em promoção, comprei o livro organizado, contextualizado e traduzido por Adalberto Alves - "Al-Mu'tamid. Poeta do Destino".
Porquê relembrar as palavras de Rilke? Porque ao ler alguns dos versos deste poeta peninsular do século XI senti - intensamente - estar perante alguns exemplares de "brilhantes prestações" no campo da poesia amorosa.
)

* * *

Separação

só eu sei quanto me dói a separação!
na minha nostalgia fico desterrado
à míngua de encontrar consolação.

à pena, no papel, escrever não é dado
sem que a lágrima trace, caindo teimosa,
linhas de amor na página da face.

se o meu grande orgulho não obstasse
iria ver-te à noite: orvalho apaixonado
de visita às pétalas da rosa.

Al-Mu'tamid
(Al-Mu'tamid. Poeta do Destino, trad. Adalberto Alves)