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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

(Último poema de 2010)

Hora após hora, dia após dia
entre o céu e a terra que perduram,
vigilantes eternas,
como torrentes que se despenham,
assim passam as vidas.

Devolvei à flor o seu perfume
depois de ter secado;
das ondas que beijam a praia
e que, uma após outra, ao beijá-la expiram,
guardai os rumores, as queixas,
e em placas de blonze gravai a sua harmonia.

Tempos que passaram, prantos e risos,
negros tormentos, doces mentiras,
ai, onde estarão as suas marcas,
ai, onde estará, alma minha?

Rosalía de Castro
(in Nas Margens do Sar)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quadra de Rosalía de Castro

Embora o meu coração gele
sinto que me estou queimando;
pois o gelo, algumas vezes,
é como o fogo: arde tanto!

(in Nas Margens do Sar)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Versos de Rosalía de Castro


Belas são todas as estações
para o mortal quando é feliz;
mas para a alma desolada e órfã
não há estação risonha nem propícia.

(versos do poema "Cálida está a atmosfera", in Nas Margens do Sar; trad. José Carlos González)