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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poema de Luís Quintais

Leitor,
eclipsam-se
teus difusos pensamentos,
eclipsam-se
as palmeiras,
os retratos,
os ternos animais,
as casas, as mãos.

Leitor,
de mágoa e vento
são tuas mãos.

Condenado ao oco,
breve, estás.

(in Verso Antigo)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Muito apreciei estes dois versos de Luís Quintais


Visitam o aquário. De improváveis cores é a vida.
Ictiológicas formas observam-nos.

(versos do poema "The Lady of Shangai", in Verso Antigo)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Passos", de Luís Quintais

Escutaste os passos
no quarto
semi-escurecido
pela tua derrota?

Não eram teus,
mas do que amaste:

os passos
do que esqueces.

(in Mais Espesso que a Água)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Verso isolado de Luís Quintais

(...)
Como compreender o mundo sem o chorar?

(verso de "Deixar como único testemunho", in A Imprecisa Melancolia)

sábado, 25 de outubro de 2008

"Manhã de Inverno", de Luís Quintais

O verão entrou pelo inverno adentro.
O céu é azul, sem nuvens.
E no meu pensamento voa a cotovia.

O sol não nos abandonou durante todo o dia.
O sol faz de mim um homem como os outros.
Mas só desta vez,

porque da próxima serei menos que o último dos homens.
Afirmações de senso-comum transportam-nos
até ao verão que há dentro do inverno.

A alma, pobre prefiguração das coisas sem lume,
a alma depõe as enregeladas sombras
que a envolvem

e caminha no contentamento sucessivo das horas.
E desta vez direi para que se não regresse
a estes instantes que tudo encerram

para melhor se perderem:
foi disto que se fez o dia,
este primeiro dia na esquecida memória dos homens:

de uma passagem
para a outra margem do inverno, de uma passagem
para a solenidade do verão.

(in A Imprecisa Melancolia)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia Mundial do Livro

A um livro medíocre, de Luís Quintais

Lê-o até ao fim.
No seu miolo,
círculo inaparente,
jaz sepulta
uma frase,
um milagre,
uma árvore.

(in Canto Onde)