quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Outro poema de Sandro Penna

Feliz quem é diferente
e é diferente.
Mas ai de quem é diferente
e é igual.

(in No Brando Rumor da Vida; trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Poema de Sandro Penna

O mar está todo azul.
O mar está todo calmo.
No coração há quase um grito
de alegria. E tudo está calmo.

(in No Brando Rumor da Vida; trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Máscaras", Gerrit Komrij

O homem com a máscara brincando
Até chegar a hora em que o seu rosto
Partilhava com ela uma só vida:
Já miúdo a história me punha indisposto.

Negava-me a aceitar. Quando crescesse,
Ia mostrar que outra maneira havia:
Que cada máscara, sem dor ou risco,
Como um capuz tirar-se podia.

Fiz disso muito tempo um firme credo.
Escondi, confiante, a minha natureza.
Extinto o fulgor do jogo que eu fazia,
Teria ela a original pureza.

Hoje sou velho, só para admitir:
A história é real. A máscara agarrou-se´.
É como habituares-te ao inferno.
Como se olhar vazia cova fosse.

(in Contrabando, uma antologia poética; trad. Fernando Venâncio)

"Poema", de Gerrit Komrij

O primeiro verso é para começar,
O segundo é o penúltimo do fundo.
O terceiro dá terreno para avançar.
O quarto vai rimar com o segundo.

O quinto prega-nos uma partida.
O sexto abate os custos mais de um terço.
O sétimo é conversa distraída.
O oitavo seriíssimo. Ou o inverso.

O nono conta o mesmo por inteiro.
O décimo é, se calha, desilusão.
O undécimo é só o décimo primeiro.
O duodécimo é de nada a conclusão.

(in Contrabando, uma antologia poética; trad. Fernando Venâncio)