(Neste Dia Mundial da Poesia, o poemapossivel recomenda a obra "Resumo - a poesia 2010", antologia poética da responsabilidade de José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas. Esta obra inclui poemas de mais de quarenta poetas nacionais, que constam em livros e revistas publicados no ano passado. A totalidade das receitas desta antologia - que tem um preço absolutamente convidativo - reverte a favor da AMI - Assistência Médica Internacional).segunda-feira, 21 de março de 2011
(Dia Mundial da Poesia)
(Neste Dia Mundial da Poesia, o poemapossivel recomenda a obra "Resumo - a poesia 2010", antologia poética da responsabilidade de José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas. Esta obra inclui poemas de mais de quarenta poetas nacionais, que constam em livros e revistas publicados no ano passado. A totalidade das receitas desta antologia - que tem um preço absolutamente convidativo - reverte a favor da AMI - Assistência Médica Internacional).segunda-feira, 14 de março de 2011
"Aconteceu um dia", de Carlos Lopes Pires
Aconteceu um dia amar-te por acaso,
embora chovesse nesse dia,
e o teu olhar com o meu
só mais tarde se encontrasse.
embora chovesse nesse dia,
e o teu olhar com o meu
só mais tarde se encontrasse.
(in O livro dos cânticos (poemas de amor e ausência))
quinta-feira, 10 de março de 2011
"Sabia que existias", de Carlos Lopes Pires
Sim, sabia há muito que existias.
Sentia-o de manhã e à noite,
e pelo amanhecer,
mas era quando o silêncio e o vazio
vinham visitar-me ao entardecer
que mais nítidas eram essas notícias.
Coisas que a gente não sabe dizer ou definir,
que sabe serem redondas ou perfeitas
e nos visitam em lugares inesperados.
E no entanto sabia que existias.
Dizia-o o melro do telhado
no meio da cidade.
indiferente ao trânsito e ao ruído,
indiferente aos semáforos.
Sentia-o de manhã e à noite,
e pelo amanhecer,
mas era quando o silêncio e o vazio
vinham visitar-me ao entardecer
que mais nítidas eram essas notícias.
Coisas que a gente não sabe dizer ou definir,
que sabe serem redondas ou perfeitas
e nos visitam em lugares inesperados.
E no entanto sabia que existias.
Dizia-o o melro do telhado
no meio da cidade.
indiferente ao trânsito e ao ruído,
indiferente aos semáforos.
(in O livro dos cânticos (poemas de amor e ausência))
quarta-feira, 9 de março de 2011
(Carlos Lopes Pires)
(Para o poeta, com imensa gratidão pela sua simpatia e partilha)
Obra poética:
A invenção do tempo e Outros Poemas (1993)
Falar às Aves (1993)
O livro de pó (1994)
O livro dos salmos (1994)
Viver (1995, 2.ª ed. rev. 1997)
O Caminho do País Lilás (1995)
O livro dos cânticos (1995)
A poeira dos dias (1996)
A Última Ceia (1996, 2.ª ed. rev. 1997)
O perfume da flor (1997)
A fuga das cidades (1997)
De immenso (1997)
Todas as estrelas do mundo / O amor tem tantos nomes (em co-autoria com Maria Rosa Colaço) (1997, 2.ª ed. 1998)
Alguém que tu conheces (1998)
Imensitude (1999)
O sinal de Jonas (1999)
Nove poemas da Bretanha / Poemas de Amor e Estremadura (ed. em português-francês, em co-autoria com Jean-Albert Guénégan) (2000)
Em cada um (2000)
Onde (2001)
As Estações de Deus (2002)
O Livro das Pequenas Orações (2008)
Te quiero (2011)
sábado, 5 de março de 2011
(Duas leituras)

(Em leitura, dois livros muito diferentes. "Os Cantos de Maldoror" (tradução de Manuel de Freitas), publicados no século XIX, transportam-nos a um universo de perversidade, malvadez e violência. A prosa poética de Lautréamont consegue ser intensa e fascinante, decadente e perigosa. O segundo livro é muito diferente: trata-se de relato em verso datado do século XII (tradução de José Domingos Morais) sobre a viagem de S. Brandão, em busca do Paraíso. Recomendações? Nem tanto - apenas uma nota de rodapé sobre duas leituras que muito prazer me estão a dar).sexta-feira, 4 de março de 2011
"Nocturno", de Luísa Dacosta
Não há estrelas
nem lua.
Só o lume duma traineirinha
é pirilampo na noite.
nem lua.
Só o lume duma traineirinha
é pirilampo na noite.
(in A Maresia e o Sargaço dos Dias)
quinta-feira, 3 de março de 2011
Outro poema de José Carlos González
Eram e foram e ainda são
Os humanos desejos e as vaidades
Eram e ainda erram os príncipes
Saídos do negrume __eles avançam
Torneios de florir lenços e rosas.
Pois somos homens no turbilhão dos astros.
Os humanos desejos e as vaidades
Eram e ainda erram os príncipes
Saídos do negrume __eles avançam
Torneios de florir lenços e rosas.
Pois somos homens no turbilhão dos astros.
(in No Alambique Escondido)
terça-feira, 1 de março de 2011
Poema (de livro emprestado) de José Carlos González

É dever sacro do fogo alastrar
Alar aos astros __falar
Em múltiplas línguas a origem
E sua própria consumação.
Ao homem é dever do fogo
Lavá-lo rubro aos metais
Moldar-lhe a mão rupestre
Até à mais branda penugem.
São do fogo e do homem conquistas
Os planaltos __sinais no deserto
E salvação no mar.
(in No Alambique Escondido)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
"Fatalidade", de Luísa Dacosta
Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.
Como prender-te
em teia tão frágil?
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.
Como prender-te
em teia tão frágil?
(in A Maresia e o Sargaço dos Dias)
domingo, 20 de fevereiro de 2011
"Entretenimento", de Luísa Dacosta
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
(in A Maresia e o Sargaço dos Dias)
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Uns quantos mais haikus de David Rodrigues
Passa um caracol
estendo agora os meus pés
ao não ver os dele.
Sereno e solene
rente ao chão como um elefante
segue o escaravelho.
estendo agora os meus pés
ao não ver os dele.
* * *
Sereno e solene
rente ao chão como um elefante
segue o escaravelho.
(in Estações Sentidas. 111 Haiku)
domingo, 13 de fevereiro de 2011
"Instinto", Luísa Dacosta
Para ti
Como a árvore sabe a floração
e o pássaro o rumo, certeiro, do voo
a minha sede de ti
sei.
(in A Maresia e o Sargaço dos Dias)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Surpreendendo-me com David Rodrigues
O lago não sabe
até que chegue o vento
quantas ondas tem.
até que chegue o vento
quantas ondas tem.
(in Estações Sentidas. 111 Haiku)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Outra vez Elio Pecora
Desde sempre que abomino as armas,
não sei se por soberba ou se por medo,
e quanto aos cavaleiros
prefiro os cavalos.
Amo, sim, o amor
e continuo a procurá-lo
blasfemando e sofrendo,
como se não soubesse
que estou em servidão.
não sei se por soberba ou se por medo,
e quanto aos cavaleiros
prefiro os cavalos.
Amo, sim, o amor
e continuo a procurá-lo
blasfemando e sofrendo,
como se não soubesse
que estou em servidão.
(in Poemas Escolhidos; trad. Simonetta Neto)
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