quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Fragmento de poema de Ruy Belo

(...)
Eu amo-te mais do que o mar a areia
e busco-te com mais impaciência
do que a que ele próprio põe quando a procura
e a possui e perde pela maré cheia
(...)

(versos do poema "Ao regressar episodicamente a Espanha, em Agosto de 1534, Garcilaso de La Vega tem conhecimento da morte de Dona Isabel Freire", in Todos os Poemas, vol. III)

"Minha senhora de mim", de Maria Teresa Horta

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito

(in Poesia Reunida)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"O Canto", de Jorge de Amorim

Como o mundo pesa.

E o pesar
do mundo.

(in Os Oráculos)

"As janelas", de Konstandinos Kavafis

Nestas salas escuras, onde vou passando
dias pesados, para cá e para lá ando
à descoberta das janelas. - Uma janela
quando abrir será uma consolação. -
Mas as janelas não se descobrem, ou não hei-de conseguir
descobri-las. E é melhor talvez não as descobrir.
Talvez a luz seja uma nova subjugação.
Quem sabe que novas coisas nos mostrará ela.

(in Os Poemas)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Brinquedos para homens", de Carlos Drummond de Andrade

Embora eu seja adulto,
não me seduzem os brinquedos eletrônicos
que a moda, irônica, me oferece.
E excogito:
Que brinquedo inventar para o adulto,
privativo dele, sangue e riso dele,
brinquedo desenganado mas eficiente?
Tenho de inventar o meu brinquedo,
mola saltando no meu íntimo,
alegria gerada por mim mesmo,
e fácil, fluida, pluma,
pétala.

Sem o pedir às máquinas e aos deuses,
que cada um invente o seu brinquedo.

(in Amar se aprende amando)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dois versos de Carlos Drummond de Andrade

à AJ

O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(versos do poema "O mundo é grande", in Amar se aprende amando)

sábado, 1 de agosto de 2009

"O primeiro degrau", de Konstandinos Kavafis

A Teócrito queixava-se
um dia o novo poeta Euménès;
«Há dois anos que escrevo
e apenas fiz um idílio.
É a minha única obra completada.
Ai de mim, é alta vejo,
muito alta a escada da Poesia;
e deste primeiro degrau onde estou
não subirei nunca pobre de mim.»
Disse Teócrito: «Estas palavras
são impróprias e blasfémias.
E se estás no primeiro degrau, deves
ser orgulhoso e feliz assim.
Aqui onde chegaste, não é pouco;
quanto fizeste, grande glória.
Este mesmo primeiro degrau
dista muito das pessoas comuns.
Para pisares este primeiro degrau
tens de ser por direito próprio
cidadão da cidade das ideias.
E é muito difícil nessa cidade
e raro que te naturalizem.
Na sua ágora encontras Legisladores
que não pode burlar nenhum aventureiro.
Aqui onde chegaste, não é pouco,
quanto fizeste, grande glória.»

(in Os Poemas)

sábado, 25 de julho de 2009

"Perda", de Maria Teresa Horta

Não há dor maior
do que aquela de perder-te
nem na cor há mais cor
que nos teus olhos

Nem na cidade
saudade que se invente
que seja mais saudade
que aquela de não ver-te

(in Poesia Reunida)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

"Nós", de Maria Teresa Horta

Se puderes meu amor
dizer
não o escondas

pois esconder é esquecer
na saudade a maneira

que dizer meu amor
do amor
não prolonga

ou demora a distância
que em nós
se encadeia

(in Poesia Reunida)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"Invento", de Maria Teresa Horta

Porque será meu amor
que sempre
na tua ausência tudo se suspende

e o vício de te ver é tanto
que em todo o sítio meu amor
te invento

(in Poesia Reunida)

terça-feira, 14 de julho de 2009